Um circo de diversões vitais

carlos Urbim
Há uma década (sem contar outras tantas compartilhadas e expostas no lúdico Caminho da serpente Encantada) meu trabalho se intromete na trajetória de Cláudia Sperb. Ela, alemoa de Novo Hamburgo, riponga na Pauliceia dos anos 1990. Eu , pelo-duro de Livramento, autor de obras para crianças. Fiz o prefácio do primeiro livro dela, em que cobras falam e regurgitam flores, preciosidade gráfica em livrarias antenadas. A mais recente edição do meu texto de estreia virou catálogo de mosaicos criados por Cláudia para Um Guri Daltônico. E no livro Piá Farroupilha inventei uma menina loira de Lomba Grande que sabe fazer xilogravuras e explica: há que pressionar o papel com as mãos até a melhor cópia.
Cada passo do Caminho plantado no topo de Morro Reuter contém registros das várias frentes que Cláudia abre para espalhar sua arte. Ela nunca se cansa de falar, e pensar, e sonhar, e expelir flores, serpentes, gravuras, azulejos, totens, estandartes, borboletas, cavalos alados e altares. Em qualquer canto, um circo de diversões e criatividade. O parque do Mato Comprido está eivado de referências e homenagens a amigos e mestres.
Agregadora Cláudia , capaz de juntar legiões no parque que remete a Antonio Gaudi ou ás casas de Pablo Neruda. Foi a regente que mobilizou mais de 170 autores de mosaicos levados para São Paulo. Hoje há um tapete ladrilhado que circunda a praça Vital Brazil no Instituto Butantã.
Entre uma e outra empreitada, alegria e celebrações, pois Cláudia é muito festeira. A maior herança que está legando para o filho Eduardo, é a ânsia imensa de viver.
Sempre disposta, sorrindo, Cláudia Sperb convoca o pessoal visitante e os amigos da vizinhança para irem com ela até a beira da rodovia revestir uma parada de ônibus com mosaicos de belas cores.